Nossa vida é uma só. Nós também. Isso não significa, no entanto, que a
gente seja somente de um jeito, ou tenha uma única atividade. Todos somos
múltiplos – trabalhamos, temos uma família, amigos, hobbies. Exercemos diversos
papéis ao longo da vida, mas é importante refletir sobre os papéis que
exercemos no momento. Por que isso importa? Porque só assim
podemos dar atenção a todos eles. Pensar a respeito também nos ajuda a perceber
onde queremos chegar e o que precisamos fazer para atingir esses objetivos.
Para exemplificar, vou entrar na minha vida pessoal e mostrar para vocês
como eu faço. Atualmente, identifico na minha vida os seguintes papéis:
mãe
esposa
indivíduo
emprego
amiga
editora do blog
dona de casa
estudante
professora
escritora
palestrante
Esses são os papéis que eu exerço na minha vida hoje. É coisa para
caramba! Imaginem como seria complicado me organizar se eu não tivesse
consciência deles.
Eu recomendo então que você pegue seu
caderninho e anote quais os papéis que você desempenha na sua vida. Não pense no
passado nem no futuro que você gostaria de ter – foque no presente. Por
exemplo, eu poderia ter colocado “música”, porque a minha vida inteira eu tive
banda. Porém, isso, hoje, não é algo que eu esteja desempenhando, pois não é
minha prioridade. Não tenho qualquer projeto de vida em andamento com relação a
esse papel. Logo, eu não o incluí, apesar de ele existir. Faça o mesmo. Reflita
sobre todos os projetos em andamento na sua vida e liste os papéis que você
desempenha.
Essa reflexão pode ser feita
constantemente – geralmente, quando você achar que
está desempenhando um novo papel ou deixando um deles de lado.
Perceba como sua consciência a respeito da vida aumenta quando você
lista os seus papéis. Dá para ter uma noção melhor da responsabilidade que nós
temos.
Definindo prioridades
E aí a gente pode definir prioridades quando sabe quais são os papéis que
exercemos. Como? Vou explicar.
Para cada papel que você desempenha, você deve escrever seus objetivos
de longo prazo. E, quando digo longo prazo, quero dizer: “quando morrer, quero
ficar satisfeita(o) por ter feito isso, isso e aquilo”. Longo prazo mesmo.
Eu uso o método GTD, então meus objetivos de vida estão divididos assim:
Objetivos de longo prazo - Objetivos de
vida, que eu quero ficar satisfeita de ter feito quando minha vida terminar.
Vão fundo no caráter, definem quem somos. Um exemplo: “Ser uma mãe sempre
presente”. Esses objetivos costumam ser mais abstratos porque na verdade
constituem verdadeiros lemas de vida. São o nosso ideal. Precisamos
conhecê-los, senão não tem sentido pensar em objetivos de curto prazo.
Objetivos de médio prazo (3 a 5 anos) - Com certeza
você tem uma ideia do que gostaria de fazer daqui a 3 ou 5 anos. Ter um filho,
mudar de cidade, fazer mestrado, passar 6 meses fora do país. Você pode não ter
nada definido, mas tem uma vaga ideia do que pretende.
Objetivos atuais (de hoje a 2 anos) - Projetos que estão na sua
cabeça atualmente, que você pretende colocar em prática em no máximo 2 anos.
Emagrecer, estudar inglês, vender a casa. Só você pode saber quais são os seus
objetivos atuais.
Projetos em andamento - Ao listar os papéis que você
desempenha na vida, certamente passou pela cabeça tudo o que está relacionado a
eles – especialmente objetivos. Você deve ter um montão de projetos em
andamento para cada papel que desempenha, senão teria listado tais papéis
(lembra que eu falei lá em cima para listar somente os papéis ativos? É isso).
Tarefas cotidianas - Todo projeto
tem tarefas, e são elas que você executa diariamente. O David Allen (autor do
método GTD) diz que essas são as tarefas que estão no nível do chão. É onde
estamos com os pés.
E como gerenciar tudo isso? Basta listar seus objetivos dentro dessas
categorias. Mas não é para fazer isso aleatoriamente – você precisa começar
pelo nível mais alto, os objetivos de longo prazo e, a partir dali, ir
“descendo”. Quando você definir um
objetivo de médio prazo, verifique se ele contribui com algum objetivo de longo
prazo. Se isso não acontecer, você deve refletir sobre a situação. Ou o
objetivo de médio prazo é algo que não vale a pena buscar ou está faltando algo
importante nos seus objetivos de longo prazo. Essa é a forma mais interessante
de definir objetivos de vida, porque tantas vezes nos perdemos em coisas que
achamos que queremos, não é? Partindo dessas definições,
fica muito mais fácil priorizar e dizer não, pois você terá tranquilidade para
fazer isso. Você sabe que, se estiver envolvida(o) em um projeto, é porque ele
tem um significado. E, que se não tem sentido para você realizar algo, você
simplesmente não precisa fazer. Sem culpa.
O divertido também é perceber que, de repente, você não consegue definir
um objetivo de longo prazo para um papel que você desempenhe atualmente. E aí
você já sabe a resposta, né? Você deve repensar se esse papel realmente precisa
continuar a ser desempenhado na sua vida. Olha só que reflexão bacana podemos
fazer apenas com uma caneta e um caderno na mão. Você pode perceber, nessa
reflexão, que está desperdiçando sua vida em algo que não tem sentido algum
para você e que não contribui em nada com a pessoa que você gostaria de ser.
Continue definindo seus objetivos
sempre com base no nível superior. Definido o objetivo de longo prazo,
veja qual o objetivo de médio prazo relacionado a ele. Conhecendo esse, você
pode definir um objetivo para curto prazo, para fazer de hoje a 2 anos. Não é
extremamente compensador trabalhar em um projeto que está contribuindo
enormemente para algo que você deseja ter daqui a 3, 5, 50 anos?
A reflexão deve continuar com os projetos em andamento e as tarefas
cotidianas. A ideia é realmente questionar a importância de todas elas. Mas não
se engane: infelizmente, precisamos executar muitas tarefas que podem parecer
inúteis e que sejam enfadonhas. Não é para parar de fazê-las, pois muitas
representam obrigações. Mas pensar sobre cada uma delas é fundamental, pois
podemos verificar se estamos investindo o nosso tempo no que é importante,
urgente ou circunstancial somente. E ter esse controle do nosso tempo é o que
nos dá a sensação de dever cumprido, pois podemos fazer ajustes aqui e ali. É
muito comum perceber que passamos os dias deixando o que é importante de lado.
Reconhecer que isso acontece e identificar o que está fazendo é o primeiro
passo para mudar esse cenário.
Sobre a rigidez
Muitas pessoas não gostam de definir objetivos porque acreditam que isso
torne suas vidas rígidas. O que eu digo a essas pessoas é o seguinte: os
objetivos não estão escritos em pedra. A vida vai
acontecendo, nós mudamos e muitas circunstâncias podem nos levar a outros
caminhos. Então, basta reformular novamente todos os seus objetivos. Isso
acontece, é normal. Mas eu considero de extrema importância pensarmos
nessas definições justamente para não perder tempo e focar no que for de nossa
essência.
Eu mesma pensava dessa forma, até perceber que, em vários anos, os
objetivos de longo prazo pouco se alteravam. Acho que isso acontece porque
vamos amadurecendo e sabendo bem o que queremos e o que não queremos. Os
objetivos de longo prazo são o “o que”, enquanto todos os outros são somente
formas e caminhos que nos levam até lá. Como isso será feito, obviamente que
mudará ao longo dos anos. E essa é a coisa mais legal da vida, na minha
opinião. Já pensou se tivéssemos tudo definido e programado? Qual seria a
graça?
Eu acredito que toda pessoa tenha
vindo ao mundo para cumprir uma missão pessoal, seja qual for, da magnitude que
for. Descobrir essa missão é o que nos
torna humanos – é o que dá sentido para a nossa vida, essa eterna busca. Isso
está longe da rigidez. Tem a ver com saber que a vida é uma só e que existe um
mar de possibilidades, mas que apenas parte delas está ao nosso alcance ou seja
de nosso desejo. Além de tudo isso, existem os papéis que desempenhamos, as
nossas responsabilidades. Tem que ser muito malabarista para dar conta de tudo,
então eu acho sim que pensar sobre nossos papéis, objetivos e projetos seja
sempre um processo muito válido e de cuidado com o tempo que temos.
Fonte: http://vidaorganizada.com
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